Durante a visita do delegado-geral da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, a Chapecó, o policial civil e vereador Cleber Fossá (MDB) aproveitou para conversar a respeito das reivindicações da categoria. Com base nisso, ele apresentou moção de apelo na Câmara Municipal de Chapecó oficializando também o pedido através de um documento do Legislativo chapecoense. O ofício é endereçado ao delegado-geral e secretário de Segurança Pública do Estado, Flávio Graff.
A solicitação é para que, em conjunto, os órgãos estaduais adotem ações no sentido da realização de concurso público para o quadro da Polícia Civil, em especial, para os cargos de Agente de Polícia e de Escrivão. Conforme Fossá, o efetivo atual está hoje muito aquém do ideal, com 3,2 mil policiais civis em atividade em todo o Estado, número inferior ao registrado em 2014, e revelando alarmante estagnação e retração, acarretando defasagem e desequilíbrio entre a demanda e capacidade laboral.
“O quadro legal da Polícia Civil de Santa Catarina prevê 5.997 cargos para agentes e escrivães, dos quais menos de 60% estão providos, gerando sobrecarga, lentidão no atendimento à população e até prejuízo à investigação criminal, não por culpa dos policiais civis, que se desdobram para prestarem um serviço de qualidade ao cidadão, porém, pela falta de efetivo, o que demonstra a imprescindível necessidade de recomposição do efetivo para restabelecer condições mínimas de operacionalidade”.
Policial há quase 30 anos, Fossá reitera que segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Catarina teve sua população aumentada de 3,6 milhões em 1980 para mais de 7,6 milhões em 2022, mais que dobrando em quatro décadas, e sem que o efetivo da Polícia Civil tenha acompanhado esse crescimento demográfico, impondo assim uma demanda crescente por atos de segurança pública. “Por isso, é preciso que sejam chamados novos concursos públicos”, afirmou.
“A defasagem do efetivo compromete a atividade-fim da Polícia Civil, que é a investigação – peça-chave no combate à criminalidade, especialmente no enfrentamento ao crime organizado no Estado, onde é notório o crescimento e um enraizamento de facções criminosas, que vêm avançando sobre o território catarinense, se aproveitando de brechas na estrutura do Estado para ampliar a sua atuação, disputando território e ampliando práticas como o tráfico de drogas e de armas”, disse Cleber Fossá.
O delegado-geral Ulisses Gabriel ressaltou que Chapecó tem, atualmente, 16 policiais civis a menos e que o governo do Estado deve repor esse efetivo até 2026. “Chapecó, pela sua posição geográfica fronteiriça e divisa com Rio Grande do Sul e o Paraná, mais o crescimento populacional originário e migratório e imigratório na busca de emprego, somado ao empreendedorismo e cooperativismo que se mantém, tem uma perspectiva de aumento populacional de 10 mil pessoas/ano”, finalizou Fossá.

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